Paulo Serra escreve sobre o "Notícias em três linhas" e a Colecção Avesso
A verdade é que Notícias em Três Linhas não é fácil de encaixar num género literário tradicional. Em 1906, Fénéon foi convidado a escrever, no jornal diário Le Matin, notícias em três linhas, e são essas notícias breves que foram coligidas (mais de 1200 “breves”) e dão corpo a este livro (com um prefácio do tradutor Manuel Resende que dá ao leitor a contextualização necessária para melhor usufruir das “breves”).
Jean-Yves Jouannais, no seu Artistes sans Œuvres, classificou Fénéon como escritor póstumo pois não deixou nenhum livro publicado e, muito ao estilo bartlebyano, preferiu não o fazer. Este Notícias em Três Linhas seguiu a edição de Jean Paulhan, de 1948, quatro anos após a morte do autor. Jouannais vai mais longe e compara a estrutura de Notícias em Três Linhas com a de um haiku. Fénéon foi capaz de exprimir o espírito da época com grande mestria no domínio da síntese.
Leia o artigo completo aqui.
Novo volume, em breve
Está a chegar um novo volume da Colecção Avesso, "Quartos Alugados", o mais recente livro de contos de Alexandre Andrade, com prefácio de Cristina Fernandes.
É o volume n.º 5 da Colecção.
Em breve.
Fénéon entre os melhores de 2014, segundo o jornalista Hugo Torres
Para conferir a lista completa aqui.
10 de Janeiro. Guimarães e Barcelos, tarde e noite
No próximo sábado, 10 de Janeiro, vamos estar na Livraria-Cafetaria Snob, em Guimarães, a partir das 18h00, e na Casa Azul, em Barcelos, a partir das 22h30, para apresentar "Notícias em três linhas", de Félix Fénéon, o primeiro volume da Colecção Avesso.
Com a participação de Carolina Lapa (Guimarães) e Eduardo Calheiros Figueiredo (Barcelos).
A Snob fica na Rua D. João I, 210A, R/C, em Guimarães (facebook).
A Casa Azul fica na Rua Barjona de Freitas, em Barcelos (facebook da associação Zoom).
Se tivesse de escolher um livro do ano
"Notícias em três linhas", de Félix Fénéon (Exclamação). Se eu tivesse de
escolher um livro do ano, este seria um provável candidato.
Hugo Xavier, O novo ecléctico.
Expressamente obrigatório

No início do século XX, quase cem anos antes do Twitter, já se contavam episódios do quotidiano ou notícias chocantes em duas ou três linhas de texto. Era o caso de Félix Fénéon, um anarquista das letras francesas, que lançava autênticas granadas verbais com os seus textos brevíssimos em papel de jornal. Este volume recolhe centenas deles e o efeito é o de um aluvião.
José Mário Silva, Expresso, 6.12.2014.
"Notícias em três linhas", de Félix Fénéon, entre as escolhas dos críticos do Expresso para este Natal.
Livro do ano, segundo o jornal Público

António Guerreiro e Maria da Conceição Caleiro, críticos do jornal Público, elegeram "Notícias em três linhas", de Félix Fénéon, como um dos livros do ano.
Para conferir aqui.
"Notícias em três linhas", com tradução, prefácio e notas de Manuel Resende, é o primeiro volume da Colecção Avesso.
Duelo de gigantes na Fnac de Santa Catarina, no Porto

"Notícias em três linhas", de Félix Fénéon, primeiro volume da Colecção Avesso, está disponível nas melhores livrarias, nas redes Fnac, Almedina, Bertrand, Wook e no sítio da editora Exclamação.
Mais um cliente satisfeito
Li as 1208 notícias em três linhas (algumas são em duas) de Félix
Fénéon. Curtas, diretas e com ritmo. Ironia quanto baste, humor negro no
melhor. Bombinhas literárias para explodir cá dentro.
Paulo Moreira Lopes.
Nas melhores livrarias e também na Fnac

A primeira edição em língua portuguesa das "Notícias em três linhas", de Félix Fénéon (tradução, prefácio e notas de Manuel Resende), está disponível nas melhores livrarias e também na Fnac.
Para encomendas online, através do sítio da editora Exclamação, basta clicar aqui.
Notícias em três imagens

Pedro Mexia e Manuel Resende.

José Luís Costa e Rafael Moraes.

Três pormenores do lançamento de "Notícias em três linhas", de Félix Fénéon, primeiro volume da Colecção Avesso, na livraria Ler Devagar, em Lisboa (22 de Novembro de 2014).
Fotografias de Guilherme Alves (1 e 2) e Luís Nobre (3).
Notícias em três linhas, o filme.
Realizado por João Pedro Almeida, a partir de uma ideia dos Lina&Nando, com interpretação de Ricardo Bueno e música de Tomás Nobre.
Agora, Lisboa

Lançamento de "Notícias em três linhas", de Félix Fénéon, primeiro volume da Colecção Avesso, agora em Lisboa. É no próximo sábado, 22 de Novembro, pelas 17h00, na livraria Ler Devagar (Lx Factory).
Com apresentação de Pedro Mexia, a presença do tradutor, Manuel Resende, e uma leitura encenada com os actores José Luís Costa e Rafael Morais.
Foi bonita a festa

Apresentação de "Notícias em três linhas", de Félix Fénéon, primeiro volume da Colecção Avesso. Porto, Gato Vadio, 8 de Novembro de 2014.
Próxima paragem: Livraria Ler Devagar, em Lisboa, sábado, dia 22 de Novembro.
Lançamento no Porto, 8 de Novembro
O primeiro volume da Colecção Avesso, "Notícias em três linhas", de Félix Fénéon, com tradução de Manuel Resende, vai ser lançado no Porto, no sábado, 8 de Novembro.
Nos próximos dias, anunciaremos aqui todos os detalhes.
Félix Fénéon, o desescritor
Os textos [das "Notícias em Três Linhas"] são por muitos considerados como um dos primeiros exemplos, senão o primeiro exemplo, dessa sub‑espécie narrativa que dá pelo nome de micro‑conto, embora não sejam mais do que «breves» publicadas no jornal Le Matin, em 1906 por um enigmático literato chamado Félix Fénéon. Poderiam assim ser introduzidos; poderiam, só que o objecto é muito mais complexo do que se revela à primeira vista.
A complexidade começa com o próprio autor, um homem fundamental na vida literária francesa da viragem para o século XX, que publicou, incentivou e promoveu imensos autores (de Rimbaud, Lautréamont, Mallarmé e Laforgue, até James Joyce, passando por Tolstoi, Gide, Proust, Valéry, e tutti quanti), mas que de si próprio não deu à estampa qualquer obra e que certamente não aspirava a fazê‑lo.
(...)
Não escreveu romance nenhum (...). De resto, solicitado no fim da vida para publicar os vários e desvairados textos que deixara pelas revistas em que colaborara, negou‑se, declarando que queria o silêncio. Outros o publicaram (o primeiro dos quais Jean Paulhan), assim como ele publicara outros.
Quem era Félix Fénéon? Era Félix Fénéon, nascido em Turim, Itália, a 22 de Junho de 1861 e morto em Châtenay-Malabry, França, a 29 de Fevereiro de 1944. À parte isso, foi funcionário público exemplar (e distinguido e no Ministério da Guerra!), e, ao mesmo tempo anarquista (e preso e julgado por isso), crítico de arte (defensor e patrono dos neo-impressionistas e dos nabis, agente de Matisse e de muitos outros pintores, coleccionador de obras de arte), praticamente responsável máximo da principal revista literária de fins do século XIX e princípios do século XX (La Revue Blanche), e, enfim, jornalista, galerista e editor.
Era um dandy, sempre impecavelmente vestido, de cabelo curto e cara rapada, à excepção de uma pêra à Tio Sam. No início da vida, levava uma vida dupla – ou tripla –, visto que, sendo ordeiríssimo funcionário público, semeava com os seus escritos a discórdia nas famílias artísticas, defendendo, contra o gosto público, os neo-impressionistas na pintura e poetas como Rimbaud, Verlaine ou Mallarmé na literatura.
Quer nos relatórios burocráticos que escrevia, quer nos seus artigos, era senhor de uma escrita «castigada», como dizem os franceses, concisa, elíptica e refinada. Nunca foi homem de muitas palavras, mas as que escolhia, escolhi‑as sempre rigorosas, surpreendentes e sublimadas.
Manuel Resende, excerto do Prefácio de "Notícias em Três Linhas".
Em breve, nas livrarias. Para encomendar online, clique aqui.
Algumas Notícias em Três Linhas de Félix Fénéon
«Se o meu candidato perder, mato‑me», declarara
o Sr. Bellavoine, de Fresquienne (Sena‑Inferior). Matou‑se
(Desp. part.).
***
O Sr. Scheid, de Dunquerque, disparou três vezes contra
a mulher. Como não conseguia acertar, apontou à sogra:
em cheio (Havas).
***
Apostara beber de enfiada quinze absintos, comendo
um quilo de vaca. Ao nono, Téophile Papin, de Ivry, caiu
redondo.
***
Louis Lamarre não tinha nem emprego, nem casa, mas
alguns tostões. Comprou, num merceeiro de Saint‑Denis,
um litro de petróleo, que bebeu.
***
Em Brest, por imprudência de um fumador, a menina Ledru,
toda de musselina, ficou com as coxas e os seios queimados
(Desp. part.).
***
Nas cercanias de Noisy‑sous‑École, o Sr. Louis Delillieau, de
70 anos, caiu morto: insolação. Rápido, o cão Fiel comeu‑lhe
a cabeça.
***
Radiante: «Podia ter tido mais!», exclamou o assassino
Lebret, condenado, em Rouen, a pena perpétua de trabalhos
forçados (Desp. part.).
Félix Fénéon, "Notícias em três linhas". Tradução de Manuel Resende.
Notícias número 17, 25, 116, 117, 149, 162 e 165.
Em breve, nas livrarias. Para encomendas online, clique aqui.
O Avesso da literatura
A Avesso é uma colecção de dez livros de ficção: nove clássicos universais e um contemporâneo.
Dez livros que, por diferentes razões, não encaixam nos géneros ou formas literárias mais comuns. Dez livros que viram do avesso o mundo da literatura e também, esperamos nós, o mundo do leitor.
A Avesso é uma colecção da Editora Exclamação.
Lima Barreto
O segundo volume da colecção Avesso é uma antologia de contos de Lima Barreto (1881-1922), um dos grandes autores clássicos da literatura brasileira, mas que continua praticamente inédito em Portugal.
Com selecção e prefácio de Osvaldo Manuel Silvestre.
Gottlieb Stephanie der Jüngere

Um empresário de teatro pretende montar um espectáculo. Para o conseguir vai ter de fazer concessões ao medíocre gosto do público, admitir subornar os críticos, deixar-se financiar por um banqueiro que impõe como condição do financiamento a contratação da noiva para o principal papel dramático e conciliar os caprichos e rivalidades das actrizes da trupe, que entre si disputam o estatuto de prima donna. Esta poderia muito bem ser uma história verídica actual. De facto trata-se de um resumo do divertidíssimo libreto do austríaco Johann Gottlieb Stephanie der Jüngere, ele próprio empresário teatral, uma sátira dos meios cénicos da Áustria da época expressamente redigida para a pequena ópera de Mozart Der Schauspieldirektor (tradução literal: «O empresário de teatro»), KV 486 no catálogo das peças do compositor.
O Empresário, escrito pelo austríaco Johann Gottlieb Stephanie der Jüngere (1741-1800) é o terceiro volume da Colecção Avesso.
Com versão de Virgílio Melo, prefácio de Sousa Dias e adaptação da partitura de Pedro Junqueira Maia.
Rubén Darío

Rubén Darío é um dos maiores autores da literatura das Américas e da língua castelhana. Dele já se disse que foi o príncipe e o renovador das letras castelhanas, o maior poeta hispânico desde Sor Juana Inés de la Cruz, um dos bravos libertadores da América e várias outras coisas pomposas, mas não injustas. O seu nome ficou associado ao “modernismo hispano-americano”, movimento artístico-cultural que lhe cumpriu fundar e liderar nas últimas décadas do século XIX e nas primeiras do XX. A sua obra vasta e multifacetada, no entanto, continua a desafiar classificações, revelando insuspeitas camadas de sentido e provocando novas leituras, estudos e traduções. Neste livro, o leitor entra em contacto com um autor que é fundamental em vários aspectos. Se não o conhece, que não se culpe – é ainda pouquíssimo traduzido em português. Se já o conhece, terá provavelmente o privilégio de o apreciar a partir de uma perspectiva nova, uma vez que sua fama esteve ligada por longo tempo à sua obra em verso.
Curiosidades Literárias e Outros Contos é a primeira antologia de textos de ficção do nicaraguense Rubén Darío (1867-1916), publicada em Portugal.
Com selecção e versões de Rui Manuel Amaral, e prefácio de André Fiorussi.
Alexandre Andrade
O quinto volume da Colecção Avesso é um novo livro de contos de Alexandre Andrade (n. 1971), um dos grandes autores portugueses de ficção da actualidade.
Roberto Arlt

Águas-Fortes Portenhas oferece-nos uma das mais belas e amplas galerias de personagens da história da literatura. Partindo das ruas de Buenos Aires, Roberto Arlt (1900-1942) mostra-nos o mundo inteiro. Ninguém fica de fora: o ladrão, o preguiçoso, o invejoso, o imigrante, o pequeno proprietário, o político, o advogado, o vadio, o batoteiro, o funcionário público, o operário, o farmacêutico, a costureira, a engomadeira, o desempregado, o membro da Academia de Letras, a actriz, a mulher da vida, o próprio escritor e o leitor dele. Personagens sem um nome porque qualquer nome lhes serve. Pessoas vivas e de todas as épocas, retratadas com a pena aguda da ironia e o teor certo de acidez.
Estas e outras histórias abriram a Roberto Arlt a porta do panteão dos clássicos, ao lado de outros argentinos como Macedonio Fernández, Jorge Luís Borges ou Julio Cortázar.
Selecção, versões e posfácio de Rui Manuel Amaral.






