O que aconteceu a uma menina
Era uma vez uma menina pequena que foi passear a boneca e encontrou dois passarinhos muito simpáticos. Fez-lhes uma ligeira reverência e disse-lhes: «Bom-dia, passarinhos!... Querem brincar comigo?... Tenho pevides no meu saquinho e dou-lhes também.» Um dos passarinhos disse: «Eu quero!» E o outro disse: «Eu também!» E divertiram-se muito quase até à noite. A certa altura, os passarinhos disseram: «Agora queremos ir embora.»
Ora bem, juntamente com a noite a chegar, chegou também à cabeça da menina um pensamento maldoso; disse aos passarinhos: «Ainda tenho pevides no fundo do meu saquinho; se quiserem, podem vir buscá-las.» Os passarinhos foram muito depressa e, crac!, a menina apertou logo os cordões e os passarinhos ficaram presos. De nada lhes valeu gritarem e gritarem: a menina levou-os no saco.
Nessa mesma noite, rondava precisamente por ali um gatarrão. Ao ouvir gritar os passarinhos, apareceu logo a correr. Quando a menina o viu fez-lhe uma das suas mais bonitas reverências — uma que o primo mais velho lhe tinha ensinado — e disse-lhe: «Bom-dia, senhor gato!» O gato não respondeu nada. E a menina teve medo ao ver aquele bicho tão grande a avançar para ela com uns olhos tão grandes e uma boca tão grande. Teve muito medo e desatou a chorar. O gato quis lá saber. Engoliu-a de um trago (foi muito bem feito) e foi-se embora todo contente e lambendo os beiços, ao passo que os passarinhos, aos quais o gato não prestara qualquer atenção, se pisgaram rapidamente para o lado contrário. E é tudo.
Um livro perfeito para conviver com citações épicas e eventualmente estampar algumas em t-shirts

O humor de Allais tem afinidades com o de Satie e com o de Félix Fénéon, e nada escapa à sua acção corrosiva: os valores burgueses, as instituições do Estado, a religião, as convenções literárias, as luminárias do meio intelectual, o senso comum e até o próprio autor (que se intromete frequentemente nos textos).
José Carlos Fernandes.
Time Out Lisboa, edição de 23-29 de Agosto de 2017. Texto completo aqui: página 1 e página 2.
A arte como arma de provocação e sabotagem

Allais estabeleceu situações de um humor espontâneo, tão suave e elegante como penetrante, com uma finura e um faro, prodigioso na destreza como lhe bastam duas pinceladas a partir de uma mistura de cores combinadas na paleta a partir de corpos esmagados de mosca, e com elas tanto pinta um aristocrata, uma dama com ânsias de rapto e histeria, uma beata ou mais algum dos universais cretinos, mas para lhes acertar nos queixos ainda lhes empresta caráter, rebentando as costuras do estereótipo. E não só é um maravilhoso retratista como trata o absurdo com umas tais confianças que o naturaliza, e ainda fideliza o leitor, por nunca falar para o boneco, mas dar-lhe o seu papel na trama.
Diogo Vaz Pinto, num extenso texto dedicado a 63 Histórias de Humor e 1 Poema Melancólico, de Alphonse Allais, na edição de hoje do Jornal i.
Texto completo aqui: página 1 e página 2.

Allais! Allais!

Chegou o novo volume da Colecção Avesso: 63 Histórias de Humor e 1 Poema Melancólico, de Alphonse Allais, com tradução, introdução e notas de Filipe Guerra. Já disponível no sítio da editora Exclamação e nas livrarias.
Boas letras

Alphonse Allais, como marginal das boas letras, assenta como uma luva (com a medida certa) à colecção Avesso, na sequência de Félix Fénéon, primeiro volume desta colecção. Isto porque Allais nunca foi visto como «escritor» durante muitos anos, mesmo depois da morte. Foi preciso que os surrealistas franceses o «descobrissem» (Breton, Cocteau) e, depois, Umberto Eco e outras sumidades, para começar a gozar de uma certa credibilidade literária e ter entrado no Panteão das Letras. Esqueceram-se os seus contemporâneos e os historiadores da literatura, que este herói dos estudantes e dos boémios do Quartier Latin era um grande escritor que, todos os dias, ajudava a criar o futuro da grande literatura humorística e satírica francesa.
Quatro de dez

A Avesso é uma colecção de dez livros de ficção (consulte a lista de autores e títulos na barra do lado direito). Até ao momento, foram publicados quatro volumes:
Notícias em três linhas, de Félix Fénéon.
Quartos Alugados, de Alexandre Andrade.
(Primeira edição esgotada. Segunda edição já disponível no sítio da editora e nas livrarias.)
O Empresário, de Johann Gottlieb Stephanie der Jüngere.
63 Histórias de Humor e 1 Poema Melancólico, de Alphonse Allais
Um nome que vai ficar na literatura portuguesa
Alexandre Andrade, autor de "Quartos Alugados", editado na Colecção Avesso, ganhou mais uma leitora atenta: Bárbara Bulhosa, da editora Tinta da China. Na última edição da Notícias Magazine (8 de Janeiro de 2017), Bárbara Bulhosa afirma que Alexandre Andrade "é uma voz nova, muito culta e articulada, que escreve de forma original, procurando referências que são tudo menos óbvias. Vai ser um nome que vamos ouvir falar de certeza. Mais do que isso, vai ser um nome que vai ficar na literatura portuguesa".


"O Empresário" é Livro do Dia, na TSF
Para ouvir a rubrica de Carlos Vaz Marques sobre "O Empresário", na TSF, clique aqui.
Apresentação de "O Empresário", na Livraria Flâneur.

Apresentação de "O Empresário", de Johann Gottlieb Stephanie der Jüngere, terceiro volume da Colecção Avesso, na Livraria Flâneur, no Porto, no dia 28 de Outubro de 2016. Com Sousa Dias, Virgílio Melo e Pedro Junqueira Maia (da esquerda para a direita).
Apresentação de "O Empresário", no Porto

A apresentação de "O Empresário", de Johann Gottlieb Stephanie der Jüngere, terceiro volume da Colecção Avesso, acontece na Livraria Flâneur, sexta-feira, 28 de Outubro, pelas 21h00. Com a presença de Virgílio Melo, tradutor, Sousa Dias, autor do prefácio, e Pedro Junqueira Maia, responsável pela adaptação da partitura de W. A. Mozart.
Chegou o terceiro volume da Colecção Avesso





Chegou o terceiro volume da Colecção Avesso. Trata-se de "O Empresário", libreto de Johann Gottlieb Stephanie der Jüngere para a ópera cómica com o mesmo nome, de W. A. Mozart, estreada em 1786.
Versão de Virgílio Melo, prefácio de Sousa Dias e adaptação da partitura de Pedro Junqueira Maia.
Já disponível na sua livraria ou em exclamação.pt.
Três linhas em dois filmes
Adolfo Luxúria Canibal lê duas notícias em três linhas, de Fénéon, na Livraria Centésima Página, em Braga (20 de Fevereiro de 2016).
Filmes de lina&nando from Supernova.
Avesso no Reverso
Sábado, 14 de Maio, vamos estar na Sociedade Guilherme Cossoul, em Lisboa, para apresentar a Colecção Avesso. A sessão acontece às 17h00, no âmbito do REVERSO 02 | Encontro de autores, artistas e editores independentes.
Fénéon esteve aqui.
Patrícia Ferreira e Adolfo Luxúria Canibal numa conversa em torno de "Notícias em três linhas", de Félix Fénéon, primeiro volume da Colecção Avesso. Na Livraria Centésima Página, em Braga, no dia 20 de Fevereiro de 2016.
Sábado, 20 de Fevereiro, em Braga

No próximo sábado, 20 de Fevereiro, pelas 18h30, vamos estar em Braga, na Livraria Centésima Página, para conversar sobre "Notícias em três linhas", de Félix Fénéon, o primeiro volume da Colecção Avesso.
Com a participação de Adolfo Luxúria Canibal e Patrícia Ferreira.
Alexandre Andrade entre as notas de fim de ano de Diogo Vaz Pinto, no jornal "i"

Diogo Vaz Pinto destaca, no jornal "i" (edição de 29 de Dezembro), o trabalho de Alexandre Andrade no mais recente volume da Colecção Avesso.
[Alexandre Andrade] voltou com "Quartos Alugados", e trouxe um espírito lúcido, que gosta de jogos literários, de elevá-los a elegantes intrigas como as que se desenvolvem nos contos dos prosadores de excepção.
"Quartos Alugados", de Alexandre Andrade, entre os melhores do ano do semanário Expresso


O mais recente volume da Colecção Avesso, "Quartos Alugados", de Alexandre Andrade, está entre os melhores livros do ano, no semanário Expresso.
"Quartos Alugados" é um dos livros do ano do jornal Público

"Quartos Alugados", de Alexandre Andrade, o mais recente volume da Colecção Avesso, é um dos livros do ano do suplemento Ípsilon, do Público.
O primeiro volume da colecção, "Notícias em três linhas", de Félix Féneon, também foi livro do ano em 2014.
Lisboa, meninos e moças

Imagem da apresentação de "Quartos alugados", de Alexandre Andrade, o mais recente volume da Colecção Avesso, num quarto alugado do Largo Residências, no Intendente, em Lisboa, no sábado, 12 de Dezembro. Na mesa, Francisco Frazão (à esquerda) e Alexandre Andrade (à direita).











