A primeira edição em Portugal de Águas-Fortes Portenhas, de Roberto Arlt.
Com selecção, versões e posfácio de Rui Manuel Amaral.
Já disponível nas melhores livrarias ou no sítio da editora Exclamação.
Manuel Resende (1948-2020)
Manuel Resende, o excepcional tradutor e organizador do volume inaugural da Colecção Avesso ("Notícias em três linhas", de Félix Fénéon), deixou-nos no dia 29 de Janeiro de 2020, depois de uma vida dedicada aos amigos e aos livros.
"Notícias em três linhas", de Félix Fénéon, foi livro do ano para os críticos do jornal Público, em 2014. A melhor maneira de celebrar a vida de Manuel Resende é continuar a ler os seus livros.
Manuel Resende durante a apresentação de "Notícias em três linhas", na livraria Ler Devagar, em Lisboa, em Novembro de 2014.
Lançamento de "O Tutu" no Porto. Dia 9 de Novembro.
A festa de Lançamento de "O Tutu", o mais recente volume da Colecção Avesso, acontece no sábado, 9 de Novembro, pelas 17h00, no novo espaço de ªSede (Rua São Roque da Lameira, 1435, Porto).
Com Regina Guimarães, Saguenail e Dj Ludwig.
Obrigatório
O Tutu, o mais recente volume da Colecção Avesso, é uma das sugestões da secção “Obrigatório”, do semanário Expresso desta semana (5/10/2019).
"O Tutu" já anda na rua.
Disponível no Pavilhão 110, da editora Exclamação, na Feira do Livro do Porto, até 22 de Setembro.
E, em breve, nas melhores livrarias.
Há um novo volume da Colecção Avesso a caminho.
Princesa Sapho, O Tutu.
Tradução e prefácio de Regina Guimarães.
Posfácio de Saguenail.
Mais informações aqui.
lina&nando na Uivo
Os lina&nando, responsáveis pela direcção artística da Colecção Avesso, estão na 8.ª edição da Uivo - Mostra de Ilustração da Maia. O projecto artístico da dupla é inspirado na capa do terceiro volume da Colecção Avesso, O Empresário, de Johann Gottlieb Stephanie der Jüngere, e inclui um filme, um poster e o livro.
O livro do dia de um autor de sempre
Monólogos, de Charles Cros, o mais recente volume da Colecção Avesso, é o Livro do Dia, na TSF. Escolha de Carlos Vaz Marques. Para ouvir aqui.
Apresentação de "Monólogos", de Charles Cros, no Porto
A apresentação de Monólogos, de Charles Cros, o sexto volume da Colecção Avesso, teve lugar no Mira Forum, no Porto, no dia 27 de Outubro de 2018. Com leituras de Alexandre Sá e Regina Guimarães, e a projecção de "Autrefois", filme de adolescência de Saguenail (1969), inspirado no monólogo homónimo de Charles Cros.
Chegou o sexto volume da Avesso
A Colecção Avesso orgulha-se de apresentar a primeira versão em língua portuguesa dos Monólogos, de Charles Cros. Numa magnífica tradução de Regina Guimarães e com prefácio de Saguenail. Já disponível para encomenda no sítio da editora Exclamação e nas melhores livrarias.
Cientista, inventor genial, poeta, mistificador, humorista, galhofeiro, participante em todos os clubes de insubmissos da boémia parisiense da terceira república – os «zutistes», os «hirsutos», os «sujeitos reles», os «hidropatas» –, Charles Cros (1842-1888) cultivou o monólogo como modo de subsistência. Precursor da «stand up comedy», o monólogo tal como Cros o concebeu e lançou, conheceu uma voga efémera – até à primeira guerra mundial – que o submergiu de imitações. No final do século XIX, todos os «homens de letras», dos jornalistas aos académicos, cometeram monólogos. Mas nenhum alcançou a graça e a fantasia criativa de Charles Cros.

Curiosidades em Macau
E temos narrativas de cunho simbolista, de cunho fantástico, de recorte realista, fábulas e até anedotas de amplexo mitológico. É isso que o torna uma fonte de surpresas e profusamente actual – isso e um humor subterrâneo que de vez em quando aflora.
António Cabrita, num texto dedicado a Curiosidades Literárias e Outros Contos, de Rubén Darío, o quinto volume da Colecção Avesso, no jornal Macau Hoje. O texto completo está disponível aqui.

O esbatimento de fronteiras entre a prosa e o verso é a grande inovação da narrativa breve de Darío
Segundo os críticos mais severos, um dos principais defeitos da prosa dariana é o facto de ser excessivamente lírica, isto é, nos seus contos e conatos de romance, a linguagem adquire mais importância do que a ficção narrativa, o que resta tensão ao relato, ou seja, o que querem dizer é que há pouca acção nos seus contos.
Claro que o excesso de lirismo não é um traço idiossincrático apenas dos seus contos, mas da sua prosa no geral. Aliás, os editores do conhecido diário bonaerense «La Nación» (do qual Darío foi colaborador desde 1889 até ao ano da sua morte), estiveram prestes a despedi-lo em várias ocasiões, fartos das copiosas referências artísticas, literárias e culturais que inseria nas suas crónicas, que, como género jornalístico, deviam ser objectivas e fáceis de entender.
Mas, de outra perspectiva, de acordo com a crítica mais recente, este esbatimento consciente de fronteiras entre a prosa e o verso é precisamente a grande inovação da narrativa breve de Darío, uma interpretação com a que concordo plenamente porque, da mesma forma que grande parte da sua prosa é, efectivamente, lírica, muitos dos seus poemas mais conhecidos, como «Sonatina» ou «A Margarita Debayle», são autênticos contos em verso.
Mirta Fernández, na apresentação de Curiosidades Literárias e Outros Contos, de Rubén Darío, no Porto, 5 de Maio de 2018. Texto completo aqui.
Livro do Dia, na TSF
Curiosidades Literárias e Outros Contos, de Rubén Darío, o quinto volume da Colecção Avesso, é o Livro do Dia, na TSF. Escolha de Carlos Vaz Marques, disponível aqui.

Leveza, humor, surpresa e formosura
[Este livro], além do gozo que dá, tem o mérito de mostrar a versatilidade, aperfeiçoamento e mestria da ficção em prosa de Darío. Desde “Os Meus Primeiros Versos” (1886) até “Curiosidades Literárias” (publicado na sua revista parisiense, Mundial Magazine, em Julho de 1913), segue-se a trajectória clara de um contista e prosador que desde cedo soube manipular a linguagem com leveza, humor, surpresa e formosura, sem nunca parar de procurar novos desafios para a técnica. Deve-se esperar destes 24 contos o inesperado, o fantástico, o trágico, às vezes, o cómico o mais das vezes, sempre o Belo com B maiúsculo e musculado.
Luís Miguel Rosa, num longo e suculento artigo, a propósito de Curiosidades Literárias e Outros Contos, de Rubén Darío, disponível aqui.
Cuidadíssima antologia
Com um leque de textos que cobre toda a carreira do escritor (dos 19 anos até às vésperas da morte), esta cuidadíssima antologia mostra-nos a espantosa diversidade de registos, temáticas e fontes de inspiração da prosa de Darío. O vasto espectro vai da ironia mais fina à vinheta trágica, da parábola sarcástica ao delírio lírico. Denominador comum: a inventividade dos relatos e uma espécie de dom féerico para captar atmosferas, com o mínimo de palavras e o máximo de efeito expressivo.
José Mário Silva, no semanário Expresso, de 28 de Abril de 2018.
(Texto online só para assinantes.)

Este a quem Borges chamou um dia "o Libertador"
Se é certo que Darío é menos cotado como prosador que como poeta, estes contos, numa edição que orgulharia a obsessão gráfica que ele tanto cuidou, em versões onde uma certa literalidade é bem doseada a favor de um efeito de estranhamento fiel à sua poética, encontramos a mesma desfaçatez verbal, a mesma insolência formal, a mesma frescura de um poeta com experiência de repórter, de ritmos e cores contagiantes. Em ficções que tematizam a relação conflituosa entre arte e sociedade, fazem a crítica do materialismo capitalista, servem de palimpsesto exuberante de matérias ou literárias, se lançam no género fantástico ou na crónica humorística, celebrando sempre o descaramento imaginativo e formal, encontramos aqui pretextos suficientes para nos deixarmos surpreender por este a quem Borges chamou um dia "o Libertador" e do qual disse ter renovado tudo, temas, vocabulário, ritmos, "a magia peculiar de certas palavras".
Miguel Filipe Mochila, a propósito de Curiosidades Literárias e Outros Contos, de Rubén Darío, no jornal i, de 26 de Abril de 2018. Texto completo aqui.


Apresentação de "Curiosidades Literárias e Outros Contos", de Rubén Darío, no Porto, dia 5 de Maio
"Curiosidades Literárias e Outros Contos", de Rubén Darío, quinto volume da Colecção Avesso, será lançado no dia 5 de Maio, às 22h00, nas Galerias Lumière, numa organização conjunta com a Livraria Poetria. Apresentação de Mirta Fernández, com leitura de contos e conversa.

"A Origem da Couve", de Rubén Darío
"A origem da couve" é um dos contos de "Curiosidades Literárias e Outros Contos", de Rubén Darío.
Chegou o quinto volume da colecção: Rubén Darío
Chegou o quinto volume da Colecção Avesso: Curiosidades Literárias e Outros Contos, de Rubén Darío. A primeira antologia de textos de ficção do autor publicada em língua portuguesa. Com prefácio de André Fiorussi, um dos maiores especialistas actuais na obra de Darío.


Ainda antes de chegar às livrarias, o Darío já chegou ao jornal i

Poeta precoce, contista, jornalista e diplomata, Rubén Darío é uma das vozes mais importantes da literatura latino-americana. Nascido em Metapa em 1867, Darío foi desde cedo uma figura tão criativa quanto rebelde. (...) Porém, a falta de traduções da obra do nicaraguano torna-o numa figura das letras hispanas imerecidamente inacessível, tanto na lusofonia como noutros idiomas. Curiosidades Literárias e Outros Contos vem contrariar essa tendência. Trata-se da primeira antologia de textos de ficção de Darío publicada em Portugal. (...) Com prefácio de André Fiorussi (académico especializado na obra de Darío), é o quinto volume da Avesso, colecção pertencente à Editora Exclamação.
Mariano Alejandro Ribeiro, na edição de 26 de Fevereiro de 2018, do jornal i.
Texto completo aqui.
Allais na GQ

63 Histórias de Humor e um Poema Melancólico é uma pequena maravilha literária assinada pelo escritor marginal francês Alphonse Allais e que consiste numa reunião de textos escolhidos e traduzidos por Filipe Guerra.
Apresentação de "63 histórias de humor e 1 poema melancólico", em Braga. 7 de Dezembro, 18h30

A apresentação de 63 histórias de humor 1 poema melancólico, de Alphonse Allais, em Braga, vai juntar José Miguel Braga e Filipe Guerra, na Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, para uma conversa sobre Allais e leitura de alguns dos seus contos. É no dia 7 de Dezembro, às 18h30, e a entrada é livre.
O livro de hoje e de todos os dias

"63 Histórias de Humor e 1 Poema Melancólico", de Alphonse Allais, o mais recente volume da Colecção Avesso, é o Livro do Dia, na TSF. Uma escolha de Carlos Vaz Marques.
Para ouvir aqui.
Apresentação de "63 Histórias..." de Alphonse Allais, na Feira do Livro do Porto, 17 de Setembro

No dia 17 de Setembro, apresentamos "63 Histórias de Humor e 1 Poema Melancólico", de Alphonse Allais, na Biblioteca Almeida Garrett, no âmbito da Feira do Livro do Porto.
Com a presença do tradutor Filipe Guerra.
Deus
Começa a fazer-se tarde.
A festa está no auge.
Os alegres companheiros são todos cor, barulho, amor.
As lindas raparigas, desapertadas, descompostas, abandonam-se. Os seus olhos entrecerram-se docemente, e os seus lábios que se entreabrem deixam aperceber tesouros húmidos de púrpura e de nácar.
As taças, nunca cheias e nunca vazias!
Esvoaçam no ar as canções, ritmadas pelo tilintar dos copos e pelas casquinadas de riso das lindas raparigas.
De súbito, o velho relógio da sala de jantar interrompe o seu tiquetaque monótono e resmungão para ranger raivosamente, como faz sempre quando lhe dá para bater as horas.
É meia-noite.
As doze badaladas caem, lentas, graves, com aquele ar de ralho próprio dos velhos relógios patrimoniais. Parecem dizer-nos que já muitas badaladas deram eles para os nossos avoengos desaparecidos e que ainda muitas mais darão para os nossos netos, quando nós já não estivermos cá.
Sem se aperceber, a nossa alegre companhia pôs uma surdina à sua balbúrdia e as raparigas deixaram de rir.
Mas Albéric, o mais louco da nossa rapaziada, levantou a taça e proferiu, com uma gravidade cómica:
«Meus senhores, é meia-noite. É a hora de negar a existência de Deus.»
Toc, toc, toc!
Batem à porta.
«Quem será?... Não estamos à espera de ninguém e os criados foram dispensados.»
Toc, toc, toc!
A porta abre-se e surge a grande barba prateada de um ancião de grande estatura, trajando uma longa túnica branca.
«Quem é você, criatura?»
O ancião respondeu com grande simplicidade:
«Sou Deus.»
Ao ouvirem esta declaração, todos os jovens sentiram um certo incómodo; mas Albéric, que tinha, decididamente, muito sangue-frio, replicou:
«Isso não o impede, espero, de beber connosco?»
Na sua infinita bondade, Deus aceitou a oferenda do jovem senhor e, passado pouco tempo, já toda a gente estava à vontade.
Continuou a beber-se, a rir-se, a cantar-se.
Já a azulácea manhã fazia empalidecer as estrelas quando pensámos em ir-nos embora.
Antes de se despedir dos seus anfitriões, Deus admitiu, com todo o gosto, que não existia.
Alphonse Allais, 63 Histórias de Humor e 1 Poema Melancólico.
Tradução, introdução e notas de Filipe Guerra.
Conto para Sara
O que aconteceu a uma menina
Era uma vez uma menina pequena que foi passear a boneca e encontrou dois passarinhos muito simpáticos. Fez-lhes uma ligeira reverência e disse-lhes: «Bom-dia, passarinhos!... Querem brincar comigo?... Tenho pevides no meu saquinho e dou-lhes também.» Um dos passarinhos disse: «Eu quero!» E o outro disse: «Eu também!» E divertiram-se muito quase até à noite. A certa altura, os passarinhos disseram: «Agora queremos ir embora.»
Ora bem, juntamente com a noite a chegar, chegou também à cabeça da menina um pensamento maldoso; disse aos passarinhos: «Ainda tenho pevides no fundo do meu saquinho; se quiserem, podem vir buscá-las.» Os passarinhos foram muito depressa e, crac!, a menina apertou logo os cordões e os passarinhos ficaram presos. De nada lhes valeu gritarem e gritarem: a menina levou-os no saco.
Nessa mesma noite, rondava precisamente por ali um gatarrão. Ao ouvir gritar os passarinhos, apareceu logo a correr. Quando a menina o viu fez-lhe uma das suas mais bonitas reverências — uma que o primo mais velho lhe tinha ensinado — e disse-lhe: «Bom-dia, senhor gato!» O gato não respondeu nada. E a menina teve medo ao ver aquele bicho tão grande a avançar para ela com uns olhos tão grandes e uma boca tão grande. Teve muito medo e desatou a chorar. O gato quis lá saber. Engoliu-a de um trago (foi muito bem feito) e foi-se embora todo contente e lambendo os beiços, ao passo que os passarinhos, aos quais o gato não prestara qualquer atenção, se pisgaram rapidamente para o lado contrário. E é tudo.
Um livro perfeito para conviver com citações épicas e eventualmente estampar algumas em t-shirts

O humor de Allais tem afinidades com o de Satie e com o de Félix Fénéon, e nada escapa à sua acção corrosiva: os valores burgueses, as instituições do Estado, a religião, as convenções literárias, as luminárias do meio intelectual, o senso comum e até o próprio autor (que se intromete frequentemente nos textos).
José Carlos Fernandes.
Time Out Lisboa, edição de 23-29 de Agosto de 2017. Texto completo aqui: página 1 e página 2.
A arte como arma de provocação e sabotagem

Allais estabeleceu situações de um humor espontâneo, tão suave e elegante como penetrante, com uma finura e um faro, prodigioso na destreza como lhe bastam duas pinceladas a partir de uma mistura de cores combinadas na paleta a partir de corpos esmagados de mosca, e com elas tanto pinta um aristocrata, uma dama com ânsias de rapto e histeria, uma beata ou mais algum dos universais cretinos, mas para lhes acertar nos queixos ainda lhes empresta caráter, rebentando as costuras do estereótipo. E não só é um maravilhoso retratista como trata o absurdo com umas tais confianças que o naturaliza, e ainda fideliza o leitor, por nunca falar para o boneco, mas dar-lhe o seu papel na trama.
Diogo Vaz Pinto, num extenso texto dedicado a 63 Histórias de Humor e 1 Poema Melancólico, de Alphonse Allais, na edição de hoje do Jornal i.
Texto completo aqui: página 1 e página 2.







